Por uma Educação (mais) Protagonista

A educação está em cheque. Um dos principais motivos para isso é que ela não corresponde às necessidades do mundo atual. Nossos sistemas educacionais de hoje foram criados em um mundo em plena revolução industrial, onde faltavam pessoas obedientes, capazes de seguir ordens, cumprir rotinas e realizar tarefas repetitivas, por muitas horas por dia. Ironicamente, até hoje ainda tentamos formar pessoas assim, e mesmo assim falhamos com certa frequência.

Entretanto, o Brasil e boa parte do mundo de hoje (com exceção de centros industriais como a China) está se desindustrializando. Novas oportunidades e mercados inteiros surgem a partir da explosão de criatividade; comércio e serviços; Internet; turismo; envelhecimento da população, etc. Mas para poder viver nesses tempos atuais, precisamos ser mais protagonistas.

Educação: para que mesmo?

Em 2013, Henrique Versteeg-Vedana, um dos fundadores da Manifesto 55, foi convidado para palestrar no TEDxUNISINOS, um dos principais eventos licenciados TEDx na área de inovação na educação. Mais de 1000 presentes na plateia, inquietos e interessados em explorar melhor o tema. A palestra foi filosófica e reflexiva: “E se aprender fosse nosso propósito de vida em comum?” e buscou questionar a educação e a vontade de aprender motivada por fatores externos (como melhores salários ou empregos), de forma utilitária, em contraposição aos fatores internos (curiosidade e propósito). Hoje entendemos isso como protagonismo.

Hoje percebemos que, ao mesmo tempo que precisamos de pessoas protagonistas que buscam aprender por curiosidade e vontade própria, precisamos de escolas e sistemas educacionais que ofereçam oportunidades das pessoas desenvolverem essa capacidade protagonista.

Protagonismo é o processo de se considerar o personagem principal da própria vida, de lutar e querer ocupar um lugar de destaque, controle e responsabilidade das próprias decisões. Precisamos de protagonismo na nossa sociedade e nas nossas organizações. Precisamos de uma educação protagonista.

Mas o que está errado?

Os próprios participantes do sistema educacional apontam os problemas. Kio Stark, autora norte-americana e escritora do livro “Don’t Go Back to School” (Não Volte pra Escola), conversou com centenas de estudantes que abandonaram o ensino superior e buscaram qualificar-se por conta própria, e percebeu um problema. O baixo engajamento dos alunos de forma generalizada no sistema educacional. E três reclamações recorrentes em relação à escola tradicional:

Passividade

O formato de ensino prevê que o aluno deva ficar escutando o professor enquanto o mesmo despeja, na forma de uma aula expositiva, os conteúdos que ele deve assimilar. Em raros casos ele pode conversar a respeito do conteúdo ou “fazer” algo com ele, além de, no máximo, fazer perguntas ao professor.

Falta de autonomia

Outra reclamação constante é que a decisão do que será ensinado e como isso será ensinado cabe inteiramente ao professor, e o aluno não tem influência muito baixa sobre o próprio aprendizado.

Aversão ao erro

Por fim, as entrevistas apontam como as escolas punem o erro através das provas, mas também através da cultura da chacota, da crítica dura e das ameaças. Os alunos são incentivados a fazer apenas o certo, sem arriscar algo diferente ou arrojado.

E o que pode dar certo?

Ironicamente, as próprias instituições educacionais precisam agir de forma protagonista, respondendo às reclamações acima citadas:

Ação

Para criar uma educação protagonista, precisamos agir, e não ficar passivos esperando que novas soluções ou políticas públicas venham nos socorrer. Precisamos ser agentes ativos na busca de novos caminhos.

Autonomia

Diferentes atores precisam buscar de forma autônoma diferentes soluções. Diferentes escolas de uma mesma rede de ensino, diferentes professores dentro da mesma escola.

Arriscar e errar

Por fim, precisamos assumir riscos, experimentar mais e vivenciar essa nova educação. Alguém poderá criticar e dizer que não podemos arriscar com a vida dos outros, especialmente jovens. Entretanto, o exemplo é o melhor educador, e o aluno vê claramente a atitude e valores da instituição, e aprende junto. A própria noção de erro é refeita, e os erros são fundamentais para qualquer processo de aprendizagem.

Como parte disso tudo, vale a pena buscar inspirações e ideias. E isso não falta hoje em dia. Desde filmes como Educação Proibida e Quando Sinto Quando Sei, até iniciativas do Ministério da Educação como o Mapa da Inovação e Criatividade na Educação Básica, ou a lista InnoveEdu, elaborada pelo portal de inovação em educação PorVir em parceria com a Edsurge, Innovation Unit e World Innovation Summit for Education.

E você? O que te inspira a oferecer uma educação protagonista?

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