Você já passou por um momento em que o facilitador diz “agora vamos fazer uma dinâmica” e metade do grupo começa a sentir calafrios? Essa aversão a dinâmicas está constantemente presente em momentos de facilitação, como reuniões ou até mesmo na sala de aula.

Pode ser que você, caro leitor, seja uma dessas pessoas que possui o que nós chamamos de “dinâmicofobia”. Mas estamos aqui pra te dizer que isso tem cura! Brincadeiras à parte, dinâmicas são muito efetivas e têm potencial transformador, desde que bem aplicadas e compreendidas.

Vamos juntos aprender mais sobre essa ferramenta? Então segue a leitura, e você será capaz de mudar sua visão sobre as dinâmicas de grupo!

Por que fazer dinâmicas?

A dinâmica é, em sua mais pura e simples forma, uma experiência vivida por um grupo de pessoas. Mas não se engane, pois dinâmicas não se resumem a essa definição. Quando utilizadas nos momentos certos, trazem resultados e reflexões impossíveis de alcançar em outros contextos.

Afinal, dinâmicas são simulações da vida real que nos ajudam a simplificar cenários complexos. Desse modo, é possível trazer um novo olhar para essas situações, muitas vezes de forma lúdica, mas sempre de forma inovadora e criativa.

Uma dinâmica que propõe a construção conjunta de algo utilizando peças de Lego, por exemplo, auxilia a observar o trabalho em equipe e a comunicação entre os participantes. Outro exemplo é realizar dinâmicas em que é necessário completar tarefas em grupo e não é permitido falar uns com os outros. Realizar desafios em silêncio mostra a importância da comunicação em um grupo.

Tenha foco na intenção da dinâmica

É importante entender que dinâmicas devem ser feitas desde que tenham intenções claras. Muitos facilitadores fazem dinâmicas de grupo “só por fazer”, e não planejam bem as reflexões, o que pode intensificar a aversão à momentos como esses.

Dinâmicas trazem muitas coisas à superfície, como problemas, conflitos, mal-entendidos, problemas de comunicação, necessidades, frustrações… muito mais do que apenas observar como cada indivíduo trabalha em grupo. Esses momentos também refletem em como cada pessoa trabalha consigo mesma, como apresenta suas qualidades e habilidades ao grupo, e como lida com suas dificuldades e desafios internos e externos.

Dinâmicas podem apontar falhas, como na comunicação, no entendimento e empatia com o outro, falhas de organização e processos.

Faça, mas também reflita!

A reflexão após uma dinâmica é tão importante quanto ela própria, desde que exista intenção e entrega para interpretar a situação vivida. Os insumos que surgem após momentos de dinâmica em grupo podem ser uma virada de chave. Podem auxiliar uma equipe que enfrenta muitos conflitos internos a compreender que é necessário mudar certas atitudes, como trabalhar escuta ativa e exercitar a empatia, por exemplo.

Neste momento, é muito importante que o facilitador permita que o grupo chegue sozinho em suas conclusões. Afinal, esse é um dos papéis do facilitador. Permita que o grupo te surpreenda com seus insights e com os caminhos que os participantes decidem seguir para chegar a uma resposta. E lembre-se: não existem respostas certas ou erradas.

Veja que existem dois momentos diferentes: a reflexão e a generalização. No momento da reflexão uma das questões principais é “o que aconteceu?” e na generalização “o que podemos aprender com isso na vida real?”. É nosso processo de aprendizagem: experimentamos algo, refletimos sobre aquilo, criamos conceitos e aplicamos esses conceitos para testar e verificar, e assim por diante. Abordamos esse assunto no blog com o artigo “Aprendizagem experiencial – Por que é tão importante para adultos?”.

Eu não gosto de dinâmicas de grupo, e agora?

Já parou para pensar no que te faz ter rejeição ao processo? Quem sabe uma experiência frustrada, uma dinâmica feita no momento errado… Seja você o facilitador ou o participante, em ambos os casos a aversão às dinâmicas ocorre principalmente pela falta de clareza sobre os resultados que podem ser trazidos para o grupo através dessa ferramenta, por sentir vergonha ou até mesmo por bloqueios criativos.

E a partir do momento que os participantes não entendem os motivos para participarem daquele momento juntos, é criada uma espécie de barreira. Na prática da facilitação, esse bloqueio pode afetar o funcionamento e até o resultado da dinâmica, visto que estas exigem certa abertura dos participantes para a experiência ser mais rica.

Brené Brown trata sobre a vergonha e o medo de se expor em um Ted Talk, mostrando como a vulnerabilidade não é uma fraqueza, mas sim uma força. Confira abaixo:

Como fazer dinâmicas sem medo?

Se você é o facilitador

É importante ficar atento na intenção que você vai colocar e a clareza no momento da dinâmica. Dedique tempo para explicar ao grupo como será conduzido o momento, abra espaço para dúvidas, escreva as instruções em um flipchart e deixe claro as intenções da dinâmica a ser feita. Não antecipe as reflexões, pois estas serão trazidas pelos próprios participantes.

Preste muita atenção na preparação dos processos de grupo. Preocupe-se com número de pessoas presentes. Dependendo da dinâmica que você deseja realizar, o tamanho do grupo pode afetar o resultado e funcionamento dela, faça essa análise! Isso porque caso seja um grupo muito pequeno ou muito grande, talvez faça mais sentido adaptar ou escolher outra ferramenta.

Outro ponto bem importante: antes de construir o processo, saiba onde está o grupo no seu processo de desenvolvimento. Entenda mais sobre processos de grupo e engajamento nesse artigo do nosso blog, sobre 6 maneiras de engajar sua equipe.

Quando o momento é com uma equipe de trabalho, ou de indivíduos que já se conhecem, pode ser mais desafiador criar um ambiente seguro para realizar certas dinâmicas, visto que podem trazer assuntos delicados, e muitas vezes imprevisíveis, à superfície.

Também é importante deixar claro como é possível tirar aprendizado a partir da dinâmica, seguido de um bom fechamento. Caso não se sinta confortável, comece com dinâmicas mais simples. Um exemplo é convidar o grupo a caminhar pela sala, formar duplas e desenhar a pessoa em sua frente sem olhar no papel, mas sim nos olhos do outro.

Se você é participante

Em primeiro lugar, lembre-se que é possível aprender com toda e qualquer experiência, dependendo da intenção do momento.

Está com medo? Tente entender por que está sentindo medo. Talvez você não queira se expor na frente do grupo? Não gosta de perder o controle da situação? Ou gostaria de saber exatamente o que vai acontecer? Isso também faz parte da dinâmica e especialmente da reflexão que vem logo depois.

Então siga aquele famoso incentivo e “vai com medo mesmo”. Dinâmicas de grupo podem colocá-lo fora da sua zona de conforto, mas encare isso como algo positivo! Entenda que você está diante de uma oportunidade única de se desafiar e de aprender muito. E o mais rico dessa experiência é que você vai aprender coletivamente com a dinâmica. Confie no processo e no facilitador para criar um ambiente seguro.

E lembre-se que, caso você não se sinta confortável o suficiente para participar de algum momento da dinâmica, não tenha medo de demonstrar vulnerabilidade e converse com o facilitador sobre o que sente.

Dinâmicas são ferramentas muito utilizadas em processos de grupo, mas são apenas uma pequena parte do universo da facilitação. A Escola de Facilitadores foi criada para desenvolver todos os lados da facilitação e trazer cada vez mais ferramentas e conhecimento para quem facilita ou tem interesse em facilitar.

Conflitos sempre foram desdobramentos da convivência humana. Hoje, contudo, eles brotam e se alastram com uma velocidade e alcance nunca antes vistos, tanto no ambiente digital quanto no ambiente físico do trabalho, da escola e até do lar.

Com a conectividade das redes sociais e a amplitude que a Internet nos proporciona, a forma com que expomos nossas ideias e opiniões muitas vezes torna-se um gerador de conflitos. Um clique é o suficiente para desencadear um enfrentamento na família, uma quebra entre amigos. Uma palavra, e a cola social que nos une já não parece tão sólida.

No Brasil dos últimos anos, os conflitos resultantes da comunicação violenta contribuíram para uma espécie de panela de pressão social. Uma das raízes dessa situação é a atrofia gradual do músculo da escuta e da empatia, ignorados em prol da ansiedade coletiva por se fazer ouvir.

O problema é que quando todos gritam, não há espaço para qualquer tipo de compreensão, de resolução, de catarse.

É certo que alguns conflitos são o estopim para uma transformação social positiva e necessária, é certo que há vozes que por muito tempo foram abafadas e que agora querem, demandam, devem ser ouvidas. Mas é certo também que a capacidade de ouvir o outro, de verdadeiramente escutar sem se deixar distrair pela notificação do Facebook, pela mensagem do Whatsapp, pelo julgamento precoce e estereotipado que fazemos das ideias alheias, vai se deteriorando, ainda mais quando o “outro” diz o contrário do que desejamos ouvir.

Nesse contexto, a escuta ativa surge como um gatilho para uma comunicação menos violenta e mais empática. Acreditando nisso, resolvemos compartilhar algumas ideias sobre como exercitar a empatia e usar a escuta ativa na resolução de conflitos. Acompanhe!

Mas, afinal, o que é escuta ativa?

A escuta ativa, também conhecida como “escuta recíproca”, é uma técnica usada para facilitar a interação e a comunicação humana, tornando-a mais limpa, menos obstruída pelos bloqueios emocionais que surgem em um conflito.

Justamente porque corresponde a uma comunicação real, sem obstruções, sem distrações, com foco na relação locutor-interlocutor, a escuta ativa facilita a interação humana nos momentos de atrito, de ruídos.

Para acontecer, a escuta ativa demanda:

  • atenção ao que está sendo comunicado, seja por meio palavras, seja pela linguagem corporal;
  • contato visual com quem fala;
  • não interrupção da fala até que a ideia/argumento tenha sido manifestado inteiramente;
  • perguntas abertas, que clarifiquem pontos de dúvida;
  • visualização do que está sendo dito, esforço para enxergar a situação pelas lentes alheias;
  • empatia ao buscar compreender a situação e os motivos do outro.

Tudo isso pode parecer simples de aplicar, mas, na prática, saiba que não é. Porque somos condicionados pela nossa bagagem de vida, pelas experiências vividas, crenças, motivações e comportamentos adotados, ao nos depararmos com o diferente (seja na maneira de se vestir, de se portar, de se expressar, de interpretar informações), erguemos barreiras emocionais que nos colocam “na defensiva”, efetivamente impedindo que pratiquemos a escuta ativa.

Não é só você, não sou apenas eu; essa é uma tendência própria de nossa espécie. Toda vez que algo nos desafia, que desafia nosso senso comum, filtramos as informações, dando novas cores e significados a elas.

Seguir por esse caminho é o jeito mais fácil, o jeito que é naturalizado há séculos, senão milênios. Ir na direção contrária é mais difícil, é o esforço da subida, o exercício da empatia.

Qual é o papel da empatia na resolução de conflitos?

A empatia permite que a escuta ativa se manifeste, permite que essa vontade de construir pontes em vez de muros se concretize.

Alguns a tratam como uma habilidade, alguns como uma expressão da inteligência emocional, alguns como um dom natural. O fato é que a empatia corresponde à disposição para tentar compreender o que sente e pensa o outro, e porque ele o faz.

Ter empatia é estar disposto a caminhar, pelo menos um pouquinho, nos sapatos do outro.

Mas a empatia, é verdade, não brota do nada. Precisa ser exercitada, exatamente como um músculo, que se deixado à mingua acaba atrofiando.

Seja no Facebook ou na fila do pão, no Uber, no ônibus ou no trabalho, a comunicação violenta da qual normalmente os conflitos se originam tem o poder de nos “tirar de órbita”. Muito rapidamente, passamos a nutrir emoções negativas em relação às pessoas ou a determinadas situações. Cada palavra atravessada, cada acusação e insinuação é mais um tijolo na muralha que se vai erguendo sem que nos demos conta. Muralha em posição, informações filtradas e, em pouco tempo, um círculo vicioso de conflito emerge.

A empatia, como base para a escuta ativa, interrompe esse ciclo e dá estrutura para a construção de um diálogo pacífico, no qual ideias, pensamentos, emoções variadas e distintas são expostas sem a intenção de machucar o outro.

Como exercitar o músculo da empatia?

Da mesma forma que um exercício físico, o primeiro passo é querer se exercitar, querer exercitar a empatia.

Talvez você perceba que a falta de empatia e o desgaste da comunicação são as grandes causas da eclosão de conflitos a nível global; talvez você, como indivíduo, tenha passado por experiências desafiadoras, árduas, fora de sua zona de conforto, e isso tenha desperto em você a capacidade de enxergar a dor do outro e de se conectar a ela.

Seja qual for seu caminho até aqui, o que trouxe você até este aprendizado, você deve prosseguir por sua própria vontade.

Primeiramente, tenha bem claro que as pessoas têm trajetórias de vida absolutamente distintas. Tenha em mente que à medida que crescemos, vamos acumulando conquistas, sim, mas também derrotas, fobias e preconceitos. Somos a soma de tudo isso. Todas essas vivências, todas essas dúvidas, ideias, ações e memórias formam o seu eu, que é único, um verdadeiro universo de particularidades.

O “eu” que está sentado ao seu lado é um outro universo, um outro amálgama de experiências, de emoções, de medos, certezas e incertezas. É possível que vocês coexistam, é possível que vocês reconheçam a vulnerabilidade um do outro, é possível que, apesar das profundas divergências, vocês desenvolvam um conviver pacífico e engrandecedor.

Como você pôde ver, a escuta ativa atua na resolução de conflitos da mesma forma que mãos pacientes e perseverantes agem para desfazer um nó. Onde há o conflito, onde há a confusão de ideias, a agressão e o julgamento, o ato de silenciar as próprias barreiras para tentar ouvir o outro, sem obstruções, permitindo-se escutar suas ideias sem atribuir significados, torna possível a resolução, a catarse.

Quando estiver dialogando, conversando, ou mesmo envolvido em um embate, portanto, faça um exercício: pense no universo que é o outro e tente desvendá-lo, reconheça as diferenças, os abismos, mas também os pontos de convergência que existem entre vocês.

Escute, entenda, identifique, compartilhe.

Qual é sua experiência com a escuta ativa? Deixe um comentário nos contando.

Você com certeza já leu ou ouviu que a mudança é a palavra de ordem da era atual. Que a velocidade do avanço tecnológico está transformando a economia, as relações de trabalho, a maneira de ensinar e aprender. Resultando numa “pressão” em nos atualizarmos com uma rapidez nunca antes vista.

Seguindo essa necessidade de adaptação constante e acelerada, algumas iniciativas estão sendo implementadas nos últimos anos é a Aprendizagem Criativa.

O que é Aprendizagem Criativa?

Foi o matemático Seymour Papert quem propôs as primeiras discussões sobre aprendizagem criativa, e desenvolveu a teoria com o apoio da equipe do MediaLab do MIT (Massachusetts Institute of Technology), em conjunto com o grupo Lifelong Kindergarten.

A proposta, da Aprendizagem Criativa de Papert, considera que o aluno terá um aprendizado mais efetivo se ele estiver engajado na construção desse conhecimento e se esse conhecimento for significativo para ele.

Nesse sentido, é possível afirmar que a Aprendizagem Criativa se sustenta no conceito de que o estudante construa a partir de uma experimentação concreta e ativa. Que esse movimento, o agir do sujeito aprendiz seja fluido e sem estruturação prévia, como se ele tivesse em um jardim de infância.

Daí vem a ideia desenvolvida pelo MIT de um “jardim de infância para toda vida”. E se baseia em uma espiral de aprendizagem que começa com imaginação, passando pela criação, pelo brincar, pelo compartilhamento, pela reflexão voltando para imaginação. Seguindo 4 princípios para a Aprendizagem Criativa.

 Os 4 Ps da Aprendizagem Criativa

Os pesquisadores definiram os princípios da seguinte forma: em inglês — Project, Passion, People and Play.

Considerando que, para construir seu processo de aprendizagem, o estudante necessite planejar e executar suas ideias, e estabeleça um Projeto, que seja relevante e significativo para ele, ou seja, que esteja conectado com as aspirações e desejos individuais do aprendiz, que envolva Paixão.

Seguindo o processo de construção, evidenciando o comportamento social do indivíduo, o aprendizado se torna mais rico e criativo na medida que compartilhamos com outras Pessoas.

Brincar (Play) é fundamental, por ser o momento em que o aprendiz coloca em ação as etapas anteriores, dando vazão ao processo de experimentação e de vivência prática. Proporcionando a validação de suas hipóteses criativas, o aluno ainda tem a chance de realizar ajustes em processo de melhoria e desenvolvimento contínuo.

Aplicação

Por meio da produção jornalística multimídia, os estudantes ampliam canais de comunicação da escola com a sua comunidade. No processo de elaboração, os alunos e/ou alunas repórteres criam pautas de interesse, realizam pesquisa, escrevem e produzem conteúdos em diferentes mídias.

Um exemplo de aplicação é o projeto Imprensa Jovem — Agências de Notícias na Escola, criado em 2005, a Imprensa Jovem é um projeto desenvolvido por mais de 200 escolas em São Paulo, pelo professor Carlos Alberto Mendes de Lima.

Os estudantes desenvolvem, de maneira autônoma e colaborativa, habilidades críticas e criativas. As coberturas são compartilhadas por meio de blogs, rádios virtuais, canais no Youtube e páginas no Facebook, entre outras mídias sociais. Dessa forma, as agências de notícias formadas pelos alunos potencializam os recursos de comunicação disponíveis, em favor do aluno-repórter numa proposta de comunicação livre e democrática.

E você? Como vê a Aprendizagem Criativa aplicada à sua realidade?

Conta pra gente!

O texto “Caro professor, seja mais ignorante”, inspirado no livro O mestre ignorante: Cinco lições sobre a emancipação intelectual, de Jacques Rancière, nos fez refletir sobre o mestre emancipador, aquele que guia o processo de aprendizagem sem se colocar como centro dele, preparando a pista para que seus alunos decolem. Hoje, vamos olhar para a outra face da moeda: o aprendiz emancipado.

Para que o mestre seja emancipador, é essencial que os aprendizes sejam emancipados. Assim, vamos falar sobre o princípio da emancipação e sobre o que realmente significa ser um aprendiz emancipado. Também veremos como garantir a participação em sala de aula, trabalhando para uma aprendizagem mais engajada.

Vamos juntos?

Princípio embrutecedor x Princípio emancipador

Nosso sistema de ensino funciona a partir de uma hierarquização de inteligências. De um lado há o aluno, entendido com um receptáculo de informações; do outro, há o professor, transmissor dessas informações. À hierarquização entre essas duas inteligências e o distanciamento que ela gera entre os participantes do processo educativo, Rancière dá o nome de “Princípio embrutecedor”.

O contraponto surge com o Princípio emancipador, que se estabelece a partir de uma igualdade de inteligências entre mestre e aprendiz. Aqui, eles são entendidos como dois agentes de um mesmo processo, que transforma a ambos.

Assim, não é mais função do professor explicar a matéria aos alunos a fim de preenchê-los com conteúdo, mas guiá-los por meio de um percurso com obstáculos, para que eles próprios desenvolvam sua inteligência, tomem as rédeas de seu aprendizado e conquistem seu conhecimento.

Perceba que a presença do professor é indispensável nesse processo, mas o fator da hierarquia entre as inteligências é dispensável. O princípio emancipador parte do pressuposto de que qualquer pessoa pode aprender ou ensinar qualquer coisa, desde que haja emancipação para tal. Por emancipação, entenda ambição, vontade, desejo de aprender.

O aprendiz emancipado

Em O mestre ignorante, Rancière conta como um grupo de alunos que não falava o mesmo idioma de seu professor conseguiu aprender um conteúdo proposto no idioma estrangeiro. Sem aulas expositivas, sem explicações, sem bê-á-bá enciclopédico, apenas instruções simples e material didático adequado.

A partir da experiência, fica claro que a aprendizagem não é um processo passivo de transmissão de conhecimento, mas um ativo, de troca, de desafio, de busca e superação. Nesse panorama, o aprendiz emancipado é aquele usa a própria inteligência para construir sua educação.

O aprendiz emancipado não é o aluno receptáculo, mas o aluno cidadão, a quem é dado a oportunidade de empregar sua inteligência e sua bagagem de vida na construção de seu conhecimento. O caminho para se conseguir uma turma de alunos emancipados, que participem ativamente das aulas, que tenham sua curiosidade e vontade de aprender instigados, será construído com ações/dinâmicas de aprendizagem criativa e não mecânicas.

Algumas palavras-chave que descrevem o dia a dia do aluno emancipado são: espontaneidade; curiosidade; questionamento; inconformismo; formulação das próprias respostas.

O caminho da emancipação, ou como promover a participação em sala de aula

Sabemos que há exceções a essa regra, mas, normalmente, a escola age como um entorpecente de vontades, de engajamento e ações cidadãs. Cada aluno, cada ser humano, com suas diferenças de habilidades e interesses, é condicionado a repetir as mesmas e batidas ideias, as mesmas e batidas receitas, do momento em que ingressa até o momento em que se forma.

Ir na contramão desse processo significa encontrar os estímulos certos para fazer cessar esse efeito entorpecente e incentivar a vontade, a espontaneidade e a curiosidade como forças motrizes da aprendizagem.

A seguir, compilamos algumas ideias de como promover esse processo e lecionar conforme o princípio emancipador de Rancière. Confira!

1.    Cada aprendizado, um desafio

Uma das metodologias que mais pode contribuir para esse processo de emancipação dos alunos é o Problem-based Learning, ou “aprendizado baseado em problemas”. Essa dinâmica pressupõe apresentar um conteúdo novo na forma de um desafio, fazendo com que o aluno se engaje ativamente em sua resolução, utilizando criativamente recursos e habilidades que já domina, enquanto adquire novos.

A metodologia funciona ainda melhor quando os desafios propostos são interdisciplinares, ou seja, demandam mais de um campo do saber.

2.    Conexão dia a dia

Outra forma de despertar o engajamento e incentivar a participação em sala de aula é relacionar o que será aprendido com a realidade dos estudantes. É trazer para o centro da aula o que eles já sabem, já vivem, já experimentam, para que sua vivência funcione como o elo com o conteúdo.

Pensar a matéria a partir do ponto de vista da turma favorece a participação ativa e ajuda a desenvolver uma inteligência mais calcada na realidade, já que amarra as informações e saberes das disciplinas isoladas com as experiências concretas do dia a dia.

3.    Escolhas, escolhas

Em vez de sempre chegar com um caminho traçado e ações definidas, você pode dar escolhas aos alunos. Essa atitude vai exigir de você, como mestre emancipador, muito mais preparação do que o normal, já que a escolha não será completamente aberta, mas condicionada.

Você apresentará dois ou três caminhos potenciais a serem percorridos, duas abordagens para o mesmo problema, e deixará que os alunos decidam a partir dessas opções.

4.    Facilitação como abordagem didática

Utilizar a facilitação em sala de aula também é uma boa forma de garantir o engajamento dos estudantes. Por meio de técnicas e ferramentas específicas dessa forma de mediar interações, os facilitadores de aprendizagem abrem espaço para o diálogo, para a cocriação, e para a participação em sala de aula.

 

Assim como a sociedade, a educação também se transforma ao longo dos anos. Aqui na Manifesto, identificamos que o Princípio emancipador terá um papel fundamental nessa transformação. Especialmente porque, a partir dele, percebemos a aprendizagem como um fenômeno ativo, uma jornada participativa e dinâmica que deve ser empreendida pelos alunos, ou aprendizes emancipados, com auxilio do professor, que é o mestre emancipador.

Gostaríamos de finalizar o artigo de hoje com um pensamento do educador Paulo Freire, renomado Patrono da Educação Brasileira: “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”.

Para você, como esse pressuposto se relaciona ao Princípio emancipador? Reflita e deixe um comentário, compartilhando conosco sua percepção a respeito desse assunto.

Conheça também nossa formação avançada em Desenho e Facilitação de Processos de Aprendizagem.

Semana passada tivemos nosso Protesto #008, um bate papo interativo conduzido pela Florentine Versteeg-Vedana, uma das fundadoras da Manifesto 55. O foco da conversa foi o desbloqueio do potencial criativo e a superação de crenças e hábitos que nos limitam.

Falamos da desconexão da vida adulta com a criatividade, do distanciamento em relação a tudo que é lúdico, e do silenciamento de nosso “artista interior”. Como você pode imaginar, muitas ideias foram compartilhadas e muitas reflexões semeadas.

Por isso, resolvermos compartilhar aqui no blog alguns insights que surgiram lá e que poderão ajudar você, leitor, a se reconectar com seu potencial criativo!

A poeira do dia a dia

É possível que você já tenha lido que “toda criança é uma artista, o problema é continuar artista depois de crescer.” Essa frase é atribuída a Pablo Picasso e ilustra bem um dos dilemas da vida moderna: como permanecer em contato com a criatividade em meio às responsabilidades que se acumulam, aos múltiplos compromissos, aos boletos a pagar, à falta de tempo e à passividade convidativa de um sofá e uma novela no final de um dia conturbado?

Tarefa árdua, todos concordamos, mas de forma alguma impossível.

Tendo como base as provocações apresentadas por Julia Cameron no livro O Caminho do Artista, indicado como material de pesquisa e apoio pela Florentine, começamos a desenhar caminhos para nos reconectarmos com nosso “eu” criativo, nosso “eu” artista, nosso “eu” leveza. Mesmo com as idas e vindas do cotidiano.

E o primeiro passo foi justamente este: entender que todos podem se reconectar com sua criatividade, que ela nunca esteve perdida, apenas adormecida sob a poeira do dia a dia.

O artista que habita cada um de nós

Mas de que forma cultivar o artista que habita em nós?

Bem, esse artista pode ser entendido como o próprio potencial criativo. A ideia é tratá-lo como uma criança e alimentá-lo com estímulos construtivos. Um reencontro com amigos, um passeio, um instrumento musical, um esporte, um hobby, um projeto… há infinitas formas de agradá-lo, de fazê-lo desabrochar novamente e cultivá-lo.

Outra atitude importante é identificar e silenciar a voz crítica que carregamos conosco. Sabe aquela voz que nos impede de tentar? De brincar? De errar, de aprender e evoluir?

Precisamos identificá-la e silenciá-la, ou a transformá-la em um ponto de apoio em vez de uma barreira. Aliás, um dos pensamentos que mais teve eco entre os participantes desse Protesto foi o desejo de ser mais tolerante consigo mesmo, de acolher os tropeços da criança interior e acalentá-la em vez de apenas julgá-la.

Abrindo portas onde há somente paredes

Como debatemos em Por que a criatividade é fundamental para o futuro?, a criatividade não é um dom exclusivo para alguns escolhidos. Ela, na verdade, é uma habilidade que pode ser desenvolvida, aperfeiçoada ao longo da vida.

A mente criativa não necessariamente é aquela que passa o dia todo concebendo uma obra de arte, mas aquela que resolve os problemas do dia a dia enxergando conexões inusitadas e ligando pontos distintos. É a mente das soluções inesperadas, aquela que se permite fazer diferente, que testa, que especula, mistura e eventualmente encontra uma saída inovadora, uma alternativa para o caminho convencional.

O hábito de cultivar uma mente criativa é um verdadeiro bálsamo para a pressão e a velocidade de nossos tempos.

A autofacilitação e o desbloqueio do potencial criativo

Se você nos acompanha aqui no blog ou nas redes sociais, já deve saber que quando falamos em facilitação, estamos nos referindo a um processo de mediação de grupo que tem como objetivo potencializar a aprendizagem, incentivar o engajamento e criar um espaço favorável à troca de conhecimento.

O facilitador é figura-chave nesse trajeto. É ele o guardião da cocriação, uma vez que a facilitação se configura como um processo colaborativo.

A facilitação, portanto, emana do facilitador e do grupo “facilitado”, que, juntos, cocriam uma experiência coletiva que tem lugar no mundo. Assim, ela pressupõe a interação e a cocriação para existir. Oras, não é possível facilitar se não há um grupo envolvido num processo de aprendizagem ou de desenvolvimento, certo?

A autofacilitação, por outro lado, é uma iniciativa voltada para a autodescoberta e para o autodesenvolvimento. Aqui, ocorre uma internalização de conceitos e práticas. Justamente porque acreditamos que a qualidade da intervenção dependerá da condição interna do interventor.

Para o facilitador, trata-se de um aprendizado especialmente importante, um aprendizado que o ajudará a se reconectar com seu artista interior por meio de técnicas e ferramentas específicas, aplicando os princípios da facilitação em sua própria vida.

Por meio da autofacilitação, ele desenvolverá a consciência da voz e do corpo, compreenderá as próprias forças e fraquezas e aprenderá a trabalhar com elas, conhecerá técnicas de improvisação e, acima de tudo, estará em contato com seu potencial criativo, buscando novas perspectivas.

Dessa forma, a facilitação se torna um estilo de vida, e o terreno cognitivo individual se torna fértil para o crescimento saudável do artista interior.

Facilitar o encontro consigo mesmo, com o arcabouço de referências, ideias e interesses que cada indivíduo carrega, ajuda a manter as vias respiratórias da criatividade desobstruídas! 🙂

Se você tiver interesse em saber mais sobre facilitação, acompanhe nossa agenda e veja quando nossos cursos e formações serão oferecidos em sua cidade!

Quando somos crianças tudo é novo. Não sabemos como as coisas funcionam, mas isso não é motivo para deixarmos de interagir com elas – bem pelo contrário. Nessa fase da vida, nosso potencial criativo, aliado à curiosidade e à vontade genuína de aprender, nos torna grandes exploradores, cientistas de nosso próprio pequeno universo.

Entretanto, essa atitude comumente não é estimulada por muito tempo. Em seu lugar, espera-se que coloquemos o aprendizado mais tradicional, baseado ainda em práticas surgidas no período medieval e em teorias, como o behaviorismo, que prescrevem a repetição para estimular a aprendizagem.

Ainda assim, há uma tendência que, pode parecer antagônica, hoje, nas organizações. Enquanto novas tecnologias são utilizadas para sofisticar processos e produtos, como o machine learning, por exemplo, utilizado pela Netflix e pelo Google, visando a prever comportamentos, entre outras aplicações, nunca as chamadas soft skills, conjunto de habilidades comportamentais e sociais das quais a criatividade faz parte, estiveram tão valorizadas.

Conforme vimos neste artigo, a criatividade já é entendida como o traço número 1 para os líderes do futuro e está entre as habilidades essenciais a serem desenvolvidas nos alunos, a fim de prepará-los para os desafios que estão surgindo neste novo século.

Uma matéria recente da Revista Época também apontou que a criatividade está entre as cinco habilidades mais relevantes para os profissionais do mercado brasileiro.

Diante disso, que tal preparar-se para desenvolver e utilizar o seu potencial criativo para o ano que vem aí? Veja como, conferindo as dicas a seguir!

5 truques para reconectar-se com seu potencial criativo

1. Tenha cuidado com o excesso de autocrítica

Muitas vezes, a censura não vem de fatores externos, mas parte de nós mesmos, ao desmerecermos nossas ideias e avaliarmos que uma inovação não é possível. Nosso potencial criativo, para ser desenvolvido e passar da latência à aplicação prática, precisa de incentivo. Busque não podar ideias que possam florescer. Antes de refutá-las, pense sempre “e porque não?”.

A técnica do brainstorming utilizada desde por criativos da indústria do marketing e da publicidade até por professores em sala de aula, é um exemplo disso. Seu princípio é o de gerar uma “tempestade de ideias”, de modo espontâneo e sem julgamentos ou censura. Somente assim, conseguiremos ter uma fluência maior de ideias, exercitando a criatividade na resolução de problemas e proposição de melhorias.

Procure substituir o excesso de autocrítica pela autoconfiança, acredite em seu potencial criativo, assuma riscos calculados, faça novas conexões entre coisas e mesmo com pessoas, tenha segurança para ousar e criar!

2. Faça a gestão de seu tempo

Cada vez mais é necessário encontrarmos um método para administrarmos nosso tempo. Se não tomarmos a dianteira desse que é nosso recurso mais valioso, nos tornamos reféns da opinião alheia, sem conseguirmos traçar e lidar com nossas prioridades. Muitas pessoas acabam repetindo respostas e comportamentos culpando sua falta de tempo por isso.

Albert Einstein já dizia que “falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por falta de métodos”. Tenha em mente que o seu dia tem o mesmo número de horas de pessoas que exercitaram seu potencial criativo, como Leonardo da Vinci, Henry Ford e Steve Jobs.

A diferença reside na gestão do tempo. Ao invés de chegar em casa e ligar a TV ou passar horas nas mídias sociais sem um objetivo traçado, experimente reservar momentos do seu dia para esboçar ideias, pensamentos, planos e soluções para suas demandas. Práticas simples como essa exercem grande impacto em nosso potencial criativo!

3. Não relegue suas emoções

Muitas vezes, somos incentivados a conter e a controlar nossas emoções, deixando-as completamente em segundo plano ou mesmo tentando suprimi-las.

Mesmo as tidas emoções negativas como a raiva, por exemplo, pode demonstrar nossa paixão por algo, um excesso de vergonha ou autocrítica, pode indicar que você mesmo está bloqueando seu potencial criativo. Preste atenção às suas emoções, elas refletem uma de nossas partes mais autênticas. Procure entender o que elas significam e redirecioná-las de modo positivo.

4. Não tenha medo de errar

O medo de errar é um dos maiores limitadores de nossa criatividade. Em nossa cultura, fortemente dicotômica que coloca em eixos opostos certo x errado, falha x sucesso, o erro ainda é fortemente relacionado à ideia do fracasso, entretanto isso não é totalmente verdadeiro.

Em organizações altamente criativas, como as do Vale do Silício, por exemplo, ele é visto como parte integrante do processo de inovação – afinal, só não erra quem não tenta criar algo novo.

O erro faz parte do aprendizado e pode potencializar nossa criatividade. Thomas Edison afirmava que havia aprendido muito mais com seus erros do que com seus acertos e Steve Jobs entendia que o erro era um indício que apontava que ele deveria buscar uma nova e mais efetiva direção. As pessoas que utilizam seu potencial criativo, não deixam-se limitar pelo medo de cometer erros, mas buscam aprender com eles e utilizá-los como impulso para estimular sua criatividade.

5. Faça mudanças autênticas em sua rotina

Faça um levantamento factível e sincero sobre pontos que você gostaria de mudar em sua rotina pessoal e organizacional. Por exemplo, se em sua organização você percebe que emprega tempo demais em reuniões desnecessárias, avalie mecanismos para promover uma mudança positiva no ambiente – quem sabe utilizar a tecnologia à seu favor, melhorando e dando qualidade ao processo?

Crie metas que sejam possíveis de cumprir e que trarão benefícios reais para sua rotina e que liberarão sua energia para focar-se em processos e soluções criativas. Se não souber por onde começar, procure programas e treinamentos focados nesse resgate do potencial criativo.

A criatividade é uma competência disponível a todos e cada vez mais valorizada em nossas relações pessoais e profissionais. Idalberto Chiavenato, especialista em Recursos Humanos, afirma que em nossa Era do Conhecimento “a base da excelência organizacional passou a ser o elemento humano”.

São as pessoas que, no final das contas, fazem a diferença. Tecnologias podem auxiliar a otimizar processos, mas não eliminam a importância da criatividade humana. Em um cenário de alta complexidade, como o que vivemos hoje, que exige respostas inovadoras, o potencial criativo volta a assumir o protagonismo que tinha lá em nossa infância, mas dessa vez focada na criação de soluções inovadoras que gerem um impacto positivo na sociedade. Que tal fazer parte disso?

Em dezembro, tivemos o Protesto #007, que contou com os ilustres Caroline Cintra, da ThoughtWorks, Breno Strüssmann, da Mercur, além do anfitrião Henrique Vedana, um dos fundadores da Manifesto 55, e de todos os entusiastas e parceiros que acompanharam o webinar pelo Facebook. O objetivo era refletir sobre novos modelos de liderança e práticas inovadoras capazes de tornar as empresas mais humanas, acolhedoras e criativas.

Muitas ideias foram compartilhadas em quase uma hora de conversa, muitos pensamentos e práticas que ressoam com o que acreditamos e defendemos aqui na Manifesto.

A convergência foi tão produtiva que decidimos compartilhar alguns dos principais conceitos e diretrizes propostos. Confira!  

Mudanças positivas e impacto social

Uma ideia que norteou a conversa do início ao fim foi a constante busca pela coerência entre a empresa e a vida, entre as aspirações enquanto profissional e as aspirações enquanto ser humano, entre o sonho com um mundo melhor e as ações para transformar essa visão em realidade no dia a dia da organização. Toda mudança precisa ser consoante com o que se deseja construir.

A preocupação com aspectos sociais e sustentáveis do negócio deve se refletir em ações no ambiente de trabalho e permear as atividades desenvolvidas por todos os colaboradores, independentemente de hierarquia.

Abandona-se o plano de carreira e adota-se um plano de vida. Esse esforço de consciência e ação faz com que o lado humano de qualquer empreendimento tenha um peso maior do que números, resultados e projeções.

Lifelong learning

O conceito de lifelong learning, ou aprendizado permanente, evidencia a importância de aprender, transformar, questionar, colaborar e cocriar ao longo de toda a vida. Essa busca por novos modelos de liderança, novas formas de criar engajamento e desbloquear o potencial criativo dos colaboradores deve ser vista e compreendida como uma jornada, e não como um ato isolado.

Nessa jornada, é essencial estar aberto e disposto a enxergar equívocos, falhas e desajustes como oportunidades de crescimento pessoal e organizacional. As curvas do caminho, as encruzilhadas e os tropeços têm muito a ensinar.

Mindset de crescimento

O mindset de crescimento acontece quando a própria empresa se torna um motor de transformação, um agente de mudança. Isso ocorre por meio de processos mais flexíveis e colaborativos, de estruturas hierárquicas menos centralizadoras, do compartilhamento de um propósito claro, de tomadas de decisão mais inteligentes e inclusivas e da busca por soluções.

O foco está no compartilhamento e na convergência de significados e significantes por todos os envolvidos em um projeto ou processo. Também está na construção de um ambiente seguro, libertador e respeitoso, capaz de acolher vulnerabilidades.

Carência na comunicação

Carências e gargalos na comunicação constituem um grande obstáculo, quiçá o maior, para as organizações que desejam incorporar essa transformação.

É preciso que os canais permaneçam desobstruídos, e que haja comprometimento com a escuta ativa para que a comunicação seja um fator agregador e não excludente. De fato, a escuta ativa — um dos princípios da comunicação não violenta — é um fundamental para interações mais produtivas entre os colaboradores da empresa. Ela cria um terreno fértil para modelos de liderança mais empáticos, dispostos a enxergar e a valorizar diferentes habilidades, perfis e contribuições dentro de um grupo.

Flexibilidade (ou a habilidade de mudar o caminho se preciso for)

Uma das atitudes exaltadas no webinar foi justamente a capacidade de reajustar o curso, de mudar a rota caso alguma decisão não surta o efeito que foi previsto. É crucial ter essa flexibilidade, essa predisposição para sentar e recomeçar do zero se preciso for, num contexto que demanda de todos agilidade e dinamismo.

Nesses momentos, quanto mais claro for o propósito da organização, mais forte será a base de sustentação e mais simples essa redefinição de caminhos.

Enfrentamento emancipador

Conflitos emergem em qualquer agrupamento humano, uma vez que a fricção entre diferentes crenças, perspectivas e comportamentos brota naturalmente da convivência humana. No ambiente empresarial, isso não seria diferente.

Há diferentes formas de lidar com conflitos. O enfrentamento é necessário, porém ele deve ser emancipador, construtivo, possibilitando a colaboração e a cocriação de soluções.

A facilitação e os novos modelos de liderança

Destacamos também o papel das metodologias ágeis — como a autogestão, a comunicação direta, a colaboração e, sobretudo, o trabalho em equipe — no surgimento de líderes mais conectados às necessidades dos colaboradores,  líderes facilitadores, líderes polinizadores de propósito.

Aqui, a facilitação entra como uma dessas novas formas de liderar, propiciando a aprendizagem e criando engajamento em qualquer ambiente ou iniciativa coletiva.

Agora é sua vez: de tudo o que falamos aqui, o que mais ressoa com você? Sua empresa já está engajada nessa transformação, nessa valorização do elemento humano? O que você faz, em sua prática diária, para concretizar o sonho de um mundo melhor?

Queremos proporcionar insumos para que a reflexão e o debate sobre as novas formas de liderar cresçam e floresçam. Por isso, convidamos você para ficar de olho em nossa agenda de cursos e formações!

Continuando a reflexão que iniciamos com o artigo “Aprendizagem 4.0 – Como se desenvolver como um aprendiz exponencial” vamos propor algumas estratégias metodológicas para desenvolver sua aprendizagem!

Como já mencionamos aqui, foi Howard Gardner que desenvolveu a teoria das múltiplas inteligências.

Acreditamos que o autoconhecimento que a teoria das múltiplas inteligências oferece seja mais produtivo para o aprimoramento individual do que os tradicionais testes de Q.I.. Isso porque esses testes costumam medir a memória de curto prazo e um conhecimento limitado.

Logo, nossa sugestão é que você faça o teste indicado aqui, avalie o resultado e reflita sobre suas respostas, se foi verdadeiro com você mesmo. Esse processo de reflexão sobre as respostas e sobre seu comportamento são práticas necessárias para o desenvolvimento da metacognição.

Qualquer indivíduo que conheça suas múltiplas inteligências, utilize a técnica VARK para identificar sua forma de aprender, e pratique os exercícios de metacognição, se tornará mais conhecedor de si mesmo e, com isso, avançará no autoconhecimento necessário para aprimorar sua aprendizagem.

Os quatro estilos de aprendizagem de Kolb

Em 1984, o educador David Kolb apresentou um estudo no qual identifica que podemos mapear o processo de aprendizagem sobre dois eixos: processamento (como fazemos as coisas) e percepção (como pensamos sobre as coisas). Para estruturar seu pensamento, ele construiu um esquema em formato círculo e o chamou de ciclo de aprendizagem.

Kolb complementa os estudos descrevendo o processo de aprendizagem tendo como base um ciclo contínuo de quatro estágios:

  • Experiência Concreta (agir)
  • Observação Reflexiva (refletir)
  • Conceitualização Abstrata (conceitualizar)
  • Experimentação Ativa (aplicar)

Passar por cada um deles é uma forma de refletir sobre o seu aprendizado. — KOLB, C.A.

Kolb também definiu quatro estilos de aprendizagem, que são: divergente; assimilador; convergente; e acomodador. Os estilos de aprendizagem são preferências na forma de perceber, organizar, processar e compreender a informação.

Gostaria de saber qual é o seu? Faça o teste aqui.

 

Com base nessas teorias e aplicando essas ferramentas, você já começa a ampliar sua capacidade de perceber e modificar seus processos de pensamento.

Com base no ciclo de aprendizagem, elaborei um diagrama com sugestões de estratégias metacognitivas de aprendizagem.

O aprendiz protagonista

No âmbito dos conhecimentos e da aprendizagem, o aprendiz protagonista precisa atender suas próprias necessidades de estudo, transcender a mera absorção de conteúdo e oportunizar o autodesenvolvimento nas competências para que possa aprender de forma autônoma ao longo da vida.

Autorregulação do aprendizado

Um dos processos que podem auxiliar o desenvolvimento dessas competências, no campo da educação, é o investimento na autorregulação da aprendizagem.

A autorregulação da aprendizagem pode ser definida como um processo de autogerenciamento de pensamentos e comportamentos para se atingir um determinado objetivo de aprendizagem.

Utilizando as sugestões de estratégias das tabelas acima, você será capaz de criar um planejamento mais coerente com suas características individuais, estruturando suas metas, os momentos de reflexão e a avaliação sobre seu próprio aprendizado.

Por exemplo, um indivíduo A-auditivo, segundo a técnica VARK, pode fazer uso de gravações de aula, podcasts e leitura em voz alta. Esse mesmo indivíduo tem o estilo convergente, segundo KOLB, logo precisa de experimentações abstratas e ativas (conforme o diagrama apresentado acima). Para isso, ele aprenderá melhor compartilhando o conteúdo e realizando sessões práticas.

Então, talvez uma boa estratégia seja formar grupos de estudo em que os integrantes façam apresentações curtas sobre o conteúdo, com preparação e leitura prévia. Após essas apresentações, o ideal é que cada um faça uma simulação prática do que foi apresentado.

É importante que ao longo dessas práticas você faça uma avaliação sobre o seu processo de aprendizagem, considerando a retenção de informação, a construção do conhecimento e a satisfação ao realizar as atividades.

* Este artigo é o segundo da série Aprendizagem 4.0, escrita pelo Thiago Freire, Manifellow da Manifesto 55. Caso tenha interesse em publicar artigos em nosso site, entre em contato conosco 🙂

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Reuniões costumam ser um assunto controverso nas empresas. Quem nunca participou de uma reunião para resolver um problema que poderia ter sido resolvido com um simples e-mail?  

De acordo com a matéria Stop the Meeting Madness, do Harvard Business Review, ao longo dos últimos 50 anos, tanto a duração quanto a frequência das reuniões aumentaram. A matéria de baseou no estudo The Science and Fiction of Meetings, que traz o índice de 11 milhões de reuniões por dia só nos Estados Unidos.  

Esses números são alarmantes e o impacto que eles têm na produtividade das empresas precisa ser estudado, sabemos. No entanto, sabemos também que reuniões não precisam ser sinônimos de improdutividade e falta de engajamento.   

Para provar isso, trouxemos quatro dicas que vão ajudar você a conduzir reuniões produtivas e imbuídas de sentido, nas quais a cocriação de soluções é o foco principal.

Confira!

1.  Inicie alinhando expectativas e objetivos

Em uma reunião, muitos caminhos podem desembocar na sensação de tempo perdido. Um desses caminhos é a falta de alinhamento entre as expectativas e os objetivos a serem alcançados.

Se as pessoas não sabem porque foram convocadas, se não têm ideia do que deve ser feito, se não há um norte direcionando a caminhada, é provável que seu nível de engajamento já inicie baixo e que elas se sintam cada vez mais desconectadas.

Portanto, defina sempre o tempo do encontro e os objetivos a serem alcançados.

2. Dê preferência a grupos pequenos e convoque as pessoas certas

Um dos principais empecilhos para o engajamento em reuniões é o tamanho do grupo e a imprecisão na convocação dos participantes. O ideal é convocar os colaboradores que estão diretamente ligados ao problema a ser solucionado ou que tenham um nível de interesse alto pelo que está em debate.

Uma das regras da Apple sob o comando de Steve Jobs, por exemplo, era convocar grupos pequenos e prezar pela simplicidade.

3. Incentive a prática da escuta ativa

A escuta ativa é uma importante ferramenta para exercitar a empatia e impulsionar a compreensão plena das ideias e perspectivas alheias, uma vez que consiste em ouvir atentamente sem interromper quem está falando. Cada participante tem um tempo predeterminado para expor suas ideias e o grupo deve respeitar cada momento.  

Para isso, incentive os participantes a se desvencilharem de todas as distrações que possam roubar sua atenção durante a reunião, como smartphones e notebooks. O foco deve estar nas palavras e ideias compartilhadas com o grupo. Pense, e ajude o grupo a pensar, em termos de imersão.

4. Para ter reuniões produtivas, saiba como utilizar recursos visuais

Opte por engajar o grupo com ferramentas visuais e interativas em vez de se perder nos slides do PowerPoint. Este recurso é de grande ajuda para o apresentador, não há como negar, mas pode tornar o encontro maçante se for o foco de toda interação.  

Não estamos decretando a morte dos slides, apenas propondo que você tenha o cuidado de não construir uma reunião inteira em torno dessa ferramenta. Lembre-se que o importante de reuniões produtivas são as pessoas e o fluxo criativo entre elas. As ferramentas utilizadas devem ser reconhecidas como viabilizadores, e não como fins em si mesmas.

Agora, reflita: como transformar reuniões em canais para mudança dentro das organizações? Você utiliza alguma técnica para garantir o engajamento e a produtividade em suas reuniões?

Compartilhe sua experiência conosco nos comentários!

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Muito se fala sobre educação inovadora, humanizada, ensino individualizado, personalizado, metodologias ativas, mistas, sobre autonomia e protagonismo no aprendizado.

Porém, são assuntos pouco explorados pela nossa cultura, principalmente a respeito do conhecimento que potencializa a capacidade de auto desenvolvimento como aprendiz.

Você se conhece o suficiente para afirmar qual é forma de aprender que melhor se adapta a você?

Então, como lidar com as rápidas mudanças e a velocidade da informação que estamos vivenciando?

“O analfabeto do século XXI será aquele que não será capaz de aprender, desaprender e reaprender.” — Alvin Toffler

Como se alfabetizar para o século XXI?

Já foi postado aqui sobre a técnica VARK e como otimizar sua aprendizagem.

Hoje vou falar de um conjunto de teorias e técnicas que podem ser úteis no autoconhecimento sobre si mesmo e seu próprio processo de aprendizagem.

Metacognição

Na década de 1970, o psicólogo americano John H. Flavel foi um dos primeiros psicólogos a estudar as formas pelas quais as crianças pensam e sobre seus processos de pensamento. O que ele chamou de metacognição.

Etimologicamente, a palavra metacognição significa para além da cognição, isto é, a faculdade de conhecer o próprio ato de conhecer, ou, por outras palavras, consciencializar, analisar e avaliar como se conhece.

Flavel foi um dos fundadores da psicologia social cognitiva do desenvolvimento, e descreve a metacognição como o processo mental por meio do qual outras atividades mentais se tornam alvo de reflexão.

Você reflete sobre o seu processo de aprendizagem?

Estar atento às suas práticas faz com que você evolua sua capacidade de aprender, e assim será capaz de melhorar sua performance. Ou seja, aumentar a velocidade, a profundidade e a habilidade de retenção de informações relevantes e de esquecer o que já não é importante.

Já parou pra pensar nisso? O quanto você conhece sobre sua forma de aprender?

A avaliação, a criação de estratégias de estudo, a definição de metas de aprendizagem e o uso de ferramentas para memorização e retenção de conhecimento fazem parte do processo metacognitivo.

Existem teorias e técnicas que contribuem para desenvolvimento da metacognição, na construção das metodologias, estratégias e avaliação do processo de aprendizagem.

No próximo artigo serão apresentados alguns conceitos de aprendizagem, como o VARK. Já se prepare para o próximo artigo com uma leitura: como otimizar seu processo de aprendizagem utilizando a técnica VARK.

Esse artigo é o primeiro de uma série de três artigos escritos pelo Thiago Freire, Manifellow da Manifesto 55. Caso tenha interesse em publicar artigos em nosso site, entre em contato conosco 🙂

Nossa equipe foi procurada pela Aurum para trabalhar um dos maiores desafios das equipes dos dias atuais: desenvolver as lideranças da empresa, propiciar momentos para estreitar os laços entre os líderes e gerar mais empatia entre os funcionários. Além disso, como já falamos algumas vezes por aqui, existem muitos perfis de líderes. Mapear os estilos de liderança dentro das organizações é um passo importante para desenvolver potenciais.

Fundada em 1993 em São Paulo, a Aurum possui três escritórios no Brasil, com a sede principal atualmente localizada em Florianópolis-SC. É uma empresa de tecnologia que busca se desenvolver rapidamente em um novo mundo digital, e assim se adaptar com o uso de diversas ferramentas para se tornar cada vez mais inovadora. Em se tratando dos líderes da companhia, no setor de tecnologia o perfil dos representantes dos times é extremamente técnico, e necessita de ferramentas para lidar com grupos a fim de desenvolver um olhar mais cuidadoso e motivador para com seus liderados.

Em setores de inovação e tecnologia é comum identificarmos líderes novos, diversos e dispostos a aprender. Enxergamos a necessidade de trabalhar ferramentas de liderança,
mapeamento dos perfis de colaboradores, estilos de liderança e facilitação, formas de dar e receber feedback, além da cocriação de projetos focados para atender alguns problemas. Ao todo, reunimos 27 pessoas entre diretores, gerentes e lideranças não formais.

Além das sessões em grupos, a Manifesto planejou sessões individuais de coaching com os diretores. Houve um acompanhamento individual de 7 líderes, com a intenção de trazer ferramentas para o desenvolvimento pessoal, e como ser mais efetivo com os liderados. Essa abordagem foi muito bem aceita pelos participantes.

Dentre os resultados apresentados pela empresa como forma indireta do trabalho realizado, estão a implementação do método feedback 360, objetivos e resultados-chave (OKRs) relacionados à liderança e maior consciência da importância de desenvolvimento da liderança.

E você? Acredita que ferramentas de engajamento de equipe e o mapeamento de estilos de liderança podem ser o caminho para desenvolver os líderes de sua empresa?

Em tempos complexos como os da atualidade, encontrar espaços acolhedores para conversar sobre as capacidades que uma empresa, setor ou até líderes precisam desenvolver é um desafio. E esta é uma dor para qualquer líder que precisa engajar equipes.

Enxergar a necessidade de abrir uma forma de comunicação com os colaboradores é um grande passo para aumentar o engajamento daqueles que ajudam a construir a empresa todos os dias.

Pensando em propor para a equipe o debate de temas importantes para a organização, a EcoCert, que atua com certificação de orgânicos, fundada na França e com escritório em Florianópolis, entrou em contato com a Manifesto 55 para auxiliar no encontro de apresentação de resultados da empresa.

Em resumo, o desafio do encontro era além de apresentar os resultados, também levantar pautas desafiadoras e muito relevantes para a empresa, como produtividade, recursos, tecnologia e crescimento pessoal.

O encontro foi dividido em dois momentos: durante a manhã foi realizado um workshop sobre engajamento mesclando conteúdo e prática, com o intuito de integrar a equipe e preparar o ambiente para a parte da tarde, onde foram debatidos pontos importantes para a organização através da metodologia Open Space.

Para Alexandre Schuch, Country Manager Brasil, da Ecocert, o encontro foi produtivo e segue dando resultados na empresa: “Não tínhamos feito algo parecido e o dia da atividade foi muito agradável. A condução dos trabalhos fez todo o sentido. Em um curto espaço de tempo, foi possível pensar sinteticamente vários aspectos de nossas problemáticas e de fato chegar a algum lugar. Nossas reuniões internas estão muito mais coordenadas, com menos barulho, mais metodologia com todos aguardando a vez de falar, o que tem de fato aumentado a produtividade dos encontros.”

O papel da facilitação, no caso da Manifesto 55, foi o de mediar, guiar as dinâmicas de grupo, mas principalmente, criar um ambiente seguro, acolhedor e empático para que as atividades e discussões pudessem ser praticadas. Foram aproximadamente seis horas de experiência.

E você? Acredita que pode alcançar os resultados esperados com uma equipe engajada? Como entende que poderia usar ferramentas de facilitação no cotidiano?

Saiba mais sobre nossa formação avançada em desenho e facilitação de processos colaborativos e entre em contato!   

Bem-vindos ao nosso novo website! Ele está passando por testes e atualizações, e deverão ocorrer mudanças e ajustes nos conteúdos, formatação e links nos próximos dias.